Poemas de Carl Sandburg


Recebo regularmente o Suplemento Literário de Minas Gerais que, entre novidades da literatura nacional, traz ensaios e discussões a cerca do fazer literário, apresentando-nos contos, poemas e imagens que compõem, de forma harmoniosa, as páginas focando em uma determinada temática ou autor homenageado, ou ainda, mantendo uma diversidade de assuntos que se entrecruzam, amalgamando cada número.

Muito me agradou o n˚ 1.335(de Março-Abril/2011) que apresentou uma pequena biografia e alguns poemas do poeta americano Carl Sandburg, cuja tradução é do poeta Tonico Mercador. Transcrevo aqui alguns dos poemas e outro que aprecio bastante:
Carl Sandburg

FOG

The fog comes
On little cat feet

It sits looking
Over harbor and city
On silent haunches
And then moves on.

BRUMA

A bruma vem
Com passos de gato

Senta-se e olha
Para o porto e a cidade
E no silêncio das patas
Se move e se vai.

***************

BETWEEN TWO HILLS

Between two hills
The old town stands.
The houses loom
And the roofs and trees
And the dusk and the dark,
The damp and the dew
Are there.

The prayers are said
And the people rest
For sleep is there
And the touch or dreams
Is over all.

ENTRE DUAS COLINAS

Entre duas Colinas
Está a velha cidade.
As casas assomam
E telhados e árvores
A penumbra e a umbra,
A neblina e a névoa
Estão lá.

Orações são ditas
E as pessoas descansam
Porque o sono chegou
E o manto dos sonhos
Tudo cobre.
***************************
(*) Poemas traduzidos por Tonico Mercador.

IRON

Guns,
Long, steel guns,
Pointed from the war ships
In the name of the war god.
Straight, shining, polished guns,
Clambered over with jackies in white blouses,
Glory of tan faces, tousled hair, white teeth,
Laughing lithe jackies in white blouses,
Sitting on the guns singing war songs, war chanties.

Shovels,
Broad, iron shovels,
Scooping out oblong vaults,
Loosening turf and leveling sod.

I ask you
To witness —
The shovel is brother to the gun.

FERRO

Canhões,
Longos canhões de aço,
Apontando das belonaves
Em nome do deus da guerra.
Retos, brilhantes, polidos canhões,
Cavalgados por marujos em túnicas brancas,
Rostos bronzeados, cabelos revoltos, dentes brancos,
Sorridentes marujos em túnicas brancas
Sentados nos canhões, entoando hinos e refrões de guerra.

Pás,
Amplas pás de ferro,
Cavando valas oblongas,
Levantando terra e tufos de grama.

Você é
Testemunha —
A pá é irmã do canhão.

(Tradução: Carlos Machado)

Comentários

Postagens mais visitadas