Parêntese para publicação

‘Semestrário’ do Mundo JAMÉ VU
Após seis meses, noventa posts e quase trinta mil acessos o blogue coletivo folhetim interativo de cultura, artes e literatura Mundo JAMÉ VU dá fôlego ao desejo de renovação e de iniciativas participativas não baseadas no individualismo ou favoritismo



“... la realidad cotidiana enmascara una segunda realidad que no es ni misteriosa, ni trascendente, teológica, sino que es profundamente humana pero que por una série de equivocaciones...” (EYZAGUIRRE, 1986, p. 184 – citação enviada pelo leitor  Jesus Artur Barbosa para definir JAMÉ VU)


Livro que virou blogue coletivo



Em seis meses de funcionamento, o Mundo JAMÉ VU, blogue coletivo e interativo de cultura e literatura idealizado e monitorado pelo escritor Homero Gomes, conta atualmente com 27 mil páginas de leitura para as suas 90 postagens, entre os textos do personagem Fulano de Tal, criação que assombra o blogue, e os dos 30 colaboradores que fazem parte desse mundo. Dentre estes, estão nomes de grandeza dentro da literatura contemporânea brasileira, bem como o de novos autores, iniciando-se no mundo das letras.

É neste blogue que, conforme, escreve Geraldo Lima “a nau dos insensatos ancora após navegar à deriva”, por isso, “é nosso ponto de encontro; nosso olhar no espelho; nossas vaidades se perdendo em rugas crivadas no rosto”, como afirma Flávio Offer e, em outras palavras, André Lucas Fernandes, quando escreve que o site é “um local de oportunidades”. Para ele, “Entrar no JAMÉ é brincar de mandar Aristóteles e Platão, junto com Kant e toda a cambada das verdades plenas e positivas para o paredão. A arma é dada ao leitor, e escritor também. Cada um tem sua chance de brincar de tiro ao alvo, brindar com o sangue dos sábios e ainda sapatear sobre seus escritos. É destruir a literatura que também bebe desse caráter de verdades plenas”.

Por isso, Claudio Parreira afirmar ser JAMÉ VU “o projeto mais descarado e sem vergonha que já vi/li. Graças a Deus! Essa falta de bom-mocismo é o que torna o site um dos mais instigantes da novíssima geração de escritores que está surgindo. Cru, direto, cruel. Uma saudável sacudida nessa literatura estagnada que insiste em manter a gravata em tempos de nudez.”

Embora pareça ser apenas um ponto de encontro para o descarnar de verdades, ou para a nudez literária explícita, o que já seria muito para as nossas letras, o JAMÉ definiu-se primeiramente como um blogue de resgate das narrativas de um personagem, de uma criação ficcional de Homero Gomes, Fulano de Tal.

Para explicar esse personagem central – tanto para o JAMÉ quanto para o romance Espaço da Morte – um dos mais assíduos leitores do Mundo JAMÉ VU, Thiago Bomfim, afirmou no início das atividades do coletivo que a ideia por trás do Fulano de Tal era “algo no mínimo paradoxal e, por isso, desconcertante. Consegue ser atual pela utilização do blogue como meio de comunicação com os leitores, ao mesmo tempo que nada na direção contrária àquela seguida pela sociedade contemporânea, tão carente do processo de pensar suas feridas, seus mortos e enterrá-los numa tentativa de resignificar vida e morte. Fulano de Tal é uma afronta à sociedade atual, um estranho-familiar que todos procuram afastar ao máximo com paliativos inflacionados de imagens de todo tipo. Fulano de Tal é a necessidade de se parar para pensar a morte noutra cena”.

As narrativas vêm sendo publicadas esporadicamente no coletivo. É bem verdade que é mais frequente acompanhar-se outros colaboradores que o próprio personagem de Homero Gomes, mas ele é a razão de ser do JAMÉ. Nesse ponto, Nilto Maciel explica que “a ideia de um livro a ser escrito e publicado como os folhetins antigos é maravilhosa. Melhor ainda se o livro se desenvolveu bem e o espaço onde ele se mostra – blogue – se transformou num salão mais amplo, capaz de abrigar não apenas os comentadores do livro, mas outros sujeitos, com predicados verbais, nominais”. Assim, possibilitando que a realidade literária se construa verdadeiramente de forma coletiva, de maneira nunca vista, nem mesmo dentro dos novos gadgets que nossa sociedade tem criado e despejado no comércio internacional, veja-se o mar de iPads que tem afogado os EUA e Europa.

Por isso, pode-se dizer em coro, com o Nilto que JAMÉ VU “é mesmo o jamais visto e que será muito lido”. E é isso que é desejado por todos os envolvidos no Mundo insano de JAMÉ VU, onde um personagem falecido tem suas narrativas publicadas junto de outras personas de renome e também desconhecidas do leitor brasileiro.

O projeto vai além dessa energia centrífuga e centrípeta natural, as partículas que o compõe são formadas de matérias as mais diversas. Participam do JAMÉ autores que se encontram entre outros grandes nomes das nossas letras, publicados nas grandes casas editoriais do país. Além desses, o editor e escritor Homero Gomes faz questão de disponibilizar espaço para os que ainda se iniciam na vereda literária, como é o caso de Amanda França que afirma ser o JAMÉ VU “um grande desafio de 'desengavetar' meus escritos e dar voz (com todo receio do mundo) ao que calei por tanto tempo”.

Pois além de autopromover sua produção literária, Homero Gomes, objetivando ampliar sua rede de alcance e visibilidade para aumentar suas chances de publicação, almeja com o JAMÉ VU, como melhor explica Flávio Offer, “um canal de divulgação e trocas de experiências literárias. Apontando, certamente, os caminhos que surgem para a literatura, tão difundida hoje em dia, através da internet. Tendo o papel de democratizar e disseminar tanto leitura como produção literária.”


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Iniciativas como esta proporcionam a interação da diversidade de falas e fazer poético/literário espalhados por este "rincão". O Brasil é muito rico em linguagens e estilos que podem ser comprovados através de experiências de publicações bem sucedidas, que abrem um leque de possibilidades de criação e divulgação por meio da internet. Eis aí, o que é feito por Homero Gomes por meio de sua JAMÉ VU - interação e difusão da atual literatura brasileira.

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