MISANTROPIA 7

1 - GENEALOGIA


Cora Coralina publicou seu primeiro livro após muitos anos de atividade literária. Somente aos 75 anos, pode ver um livro publicado. A simplicidade da mulher inserida num cotidiano do interior brasileiro se faz refletida nas linhas de sua poesia. Seus textos primam pela busca incansável em compreender e apreender os acontecimentos corriqueiros. Sem levar em conta conceitos e regras literárias, faz uma poesia desvinculada do academicismo; tanto por desconhecer tais artifícios, imprimiu em seus versos a candura de estar livre de qualquer forma engessada e que lhe formatasse a livre expressão. Assim, tornou-se um dos grandes nomes da literatura brasileira, capaz de captar pelas palavras as dissonâncias da vida.
Seu nome era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nascida em Vila Boa de Goiás,  em 20 de agosto de 1889 faleceu em 10 de abril de 1985. Ficou conhecido pelo pseudônimo: Cora Coralina - nome este que entrou para o cenário literário nacional.





Mulher da Vida,

Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.’


(Poemas de Goiás e Estórias Mais, p.201, 1996)

2 - NOTÁVEIS

Flávia Perez


Recebi por esses dias o livro "Leoa ou Gazela, todo dia é dia dela" de Flávia Perez. Tive o prazer de me deleitar em versos bem trabalhados, que fluem com  leveza e precisão em uma temática organizada. O tom erótico do livro nos leva de encontro a uma voz ferina que se faz caça na intenção de ser comida, nada de fugir diante das artimanhas do "caçador", mas se jogar sobre ele e devorá-lo inteiro e completamente como uma leoa faminta,   não para matar a fome, e sim, saciar esta necessidade de sentir o toque, o cheiro e o gosto da carne alheia. Há aí, um certo canibalismo, digamos: um "canibalismo amoroso", um rito perpétuo que envolve silenciosamente cada um de nós.  Flávia Perez nasceu no Rio de Janeiro e mora em Campinas - SP, além do livro "Leoa ou gazela...", publicou recentemente, "Poesia se escreve com T" (Poesia se escreve com tesão). Pode ser lida no blog: Volúveis.Voláteis: vale a pena, aprecie.

Prelúdio* 

Tua boca descreve apocalipses.
A minha devolve espasmos,
ipsis literis.

Tua boca manda coisas,
inconteste.

Meus dedos 
deslizam orgasmos
em teu vértice.

Engastado em minhas órbitas,
fractais dos teus olhos
sábios.

Enquanto teus dedos molhados
contornam

pequenos
e grandes
lábios.


* Leoa ou gazela, todo dia é dia dela - Flávia Perez, Editora Utopia, 2009.

3 - ESCRIVANINHA

NAVEGANTE


Flávio O. Ferreira


navego em falso objeto
de desejo e de prazeres
sob luas que minguam
e escapam entre dedos

navego em falso segredo
de pele que arde e treme
em loucuras de seios leves
em breve resvalar nos lábios

navego em falso devaneio
de mãos que tocam coxas
buscando a mais intensa
delícia que a vida rege

navego em falso sonho
de corpos que se enlaçam
num laço de gozo e asco
ao timbre d’amor sedento.

Comentários

  1. que delícia Flávio! estar no mesmo post que Cora é uma honra.

    E adorei teu poema!

    obrigada!!!

    bjbjbj

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  2. Valeu, Flávia!
    Bem-vinda sempre!
    Abraços!

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  3. Flávio, muito bom esse post. Tenho o livro da Flá e assino embaixo! A trinca é muito boa, gostei da escolha! O seu poema, como sempre certeiro!
    Abraços!

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  4. Vim conhecer seu espaço e veja só quem me recebe... A maravilhosa, a minha querida Cora (uma das minhas favoritas) Adorei! vou voltar! bj de chocolate pra ti!

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  5. muito obrigado por me postar aqui amigo.

    tudo muito bom aqui.

    abração.

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  6. poesia fertil. fui lá no manuatura e gostei pacas do seu poema.

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  7. Parabéns pelo blog e pelo conteúdo,

    voltarei,

    abraço companheiro do poema dia,

    Gavine Rubro

    www.celularubra.blogspot.com

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