Memórias miúdas

nasci nos cafundós da Gerais
menino miúdo e matreiro
a correr na chão de terra
atrás de uma bola de couro
e em jogos de ‘bola de gude’
na rua sem saída do morro

nasci prematuramente
revelação da pressa e ânsia
que conduz estes passos aflitos
a vagar pelo mundo imenso
delírio de menino que dança
um baile de desatinos

gritaram-me pelo nome
outros chamaram poeta, mas não.
sou apenas um ser ladino
transpirando a voragem
que escapa em redemoinhos
pelos poros que me compõem

sou o grito sufocado na alma
o eco frágil de existência
sob os auspícios de um Deus
que carrego impunemente:
reflexo de meus antepassados –
concepção do que eu viria a ser.

Comentários

  1. Beleza de poema, Flávio. Me fez pensar em minha infância - também de menino interiorano! Me identifiquei muito. Muito bom.

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Flávio O. Ferreira

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