Primeiro Amor – Ivan Turguêniev



Primeiro Amor – Ivan Turguêniev

Curiosamente entrei numa livraria um dia desses e me deparei com esse pequeno livrinho. Fascinado que sou pelos escritores russos pude notar a contemporaneidade de Turguêniev(1818-1883) e Dostoiévski(1821-1881); isso me chamou a atenção, despertando um interesse a mais pela novela que se exibia ante meus olhos. Embora o título não agradasse tanto devido a carga de romantismo lírico existente e, trazer ainda, na contracapa, uma sinopse que aponta para este sentimento avassalador e intoxicante que é um Primeiro Amor, deixei levar-me pela autoria da obra e arrisquei a leitura.
Ao final, estava eu boquiaberto com a capacidade criativa de Turguêniev, que narra com beleza e maestria uma história que tinha tudo pra cair no pedantismo comum aos amores não correspondidos.
Em Primeiro Amor   a característica latente é o amor platônico, que, como é sabido, nunca “chega às vias de fato”. A pequena novela parte da proposição feita por um amigo de Vladimir Petróvich: o relato do primeiro amor, que se dá através das memórias transcritas em um pequeno caderno. Vladimir conta como, ainda garoto aos 16 anos, conheceu Zinaída Alexándrovna de 21 anos, de beleza incomum, cujos traços traziam algo encantador, imperioso, carinhoso, zombeteiro e gracioso. Zinaída é cortejada por inúmeros rapazes mais velhos, enquanto Vladimir mergulha em sua paixão. Há uma troca de afetos entre ambos, resultado da aproximação e da amizade que surge. O texto se faz por um relato saudoso e, uma inocência, quase que, pueril. Alternando momentos de desespero e de felicidade decorrentes da paixão que lhe envolvia.
Mais do que a história do Primeiro Amor, a novela traz em si o relato de conflitos  familiares e das relações sociais, tendo na figura do pai de Vladimir um exemplo de patriarcalismo, que regia a estrutura familiar; mitificado como herói aos olhos do menino, independente de suas ações contraditórias, ele[o pai] tem grande influência no contexto romântico da novela.
Ao final, o relato torna-se uma reflexão em relação ao tempo, a forma em que a vida transcorre e o que é feito dela. O Primeiro Amor passou e, nada mais resta, senão as boas lembranças de momentos que jamais se repetirão.

(***) imagem da capa da edição L&PM Pocket Plus
                    

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