Banco da Poesia



Eis aí mais um espaço que tem a poesia como foco. Sob a direção de Cleto de Assis, o blog Banco da Poesia é um lugar de encontro de vários poetas. Através de seus depósitos o espaço toma corpo. Há uma sinergia entre os trabalhos e a elaboração do autor do blog que, inteligentemente, compõe imagens interessantes, mesclando poesia e foto-montagens. É com admiração e orgulho que deixo lá alguns depósitos.
Que os rendimentos sejam fartos e os lucros exorbitantes. Salve salve a Poesia!!!


"O Banco da Poesia, que pretende ser mais um ponto de apoio para essa modalidade literária nem sempre valorizada em nossa cultura. A essência da poesia está em todas as artes, fundamentais para a própria vida. Só quem sonha pode criar. Só quem cria faz o mundo evoluir. E quem provoca a evolução da sociedade, gera maior comunicação e reunião solidária entre as pessoas. Fernando Pessoa já vaticinava, há mais de 50 anos: O maior poeta da época moderna será o que tiver mais capacidade de sonho." (trecho copiado do post "inaugural" no Banco da Poesia)


Banco novo na praça

Tem Banco do Brasil
Banco que faliu
Banco Real e Banco do Povo.
Até aí, nada de novo.
E tem banco de jardim
mui útil pra quem se cansa
e só quebra com farta poupança.
Há também, entre os quebrados,
o Bear Stearns, o Lehman Brothers,
o Merrill Lynch e o Nacional
e aquele cujo mote foi fatal:
“O tempo passa, o tempo voa…
e só o Bamerindus continua numa boa”.
Existe banco de sêmen:
eis o banco que procria
e cujos lindos filhotes
não são mera loteria.
Há banco de areia
a encalhar os navios
e tem banco de réu
apenando os extravios.
Tem banco de imagens,
banco de desenvolvimento
banco central, banco de dados
todos a inspirar cuidados.
Tem a econômica Caixa
que não tem nome de banco
mas age na mesma faixa.
Tem até banco de idéias
e banco de futebol
e pra pequenas platéias
tem banco que é urinol.
Aos quase, quase quebrados
inventaram o Proer
mas para o pobre esteta
não fizeram o Propoeta.
Por isso, caros senhores,
vamos fundar nosso banco:
não obrará em vermelho
mas ainda está em branco.
Trabalhará vanguardeiro
sem pensar só em dinheiro
neste tempo de consumo.
E terá como seu prumo
a palavra desprezada
pelos praxistas do dia.
O que quer? É quase nada.
Só reunir na estrada
os escribas já sem rumo
que semeiam bons valores
com muito amor ou com dores
no parto amargo da letra
sem ajuda de obstetra.
Vamos fundar, sim senhores,
novo banco – quem diria! –
um banco imune a assaltos
com dividendos mais altos:
é o Banco da Poesia!

Cleto de Assis
24-25.setembro.2008

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