Pré-Visão Atormentada

foto: Michals Oldenburg


Por que inventar razões para sofrer
Se nascer já é dolorido?
Ah... viver! Mundo incompreendido...
O tempo passa, caem os dentes,
Vem a idade, a calvície,
As rugas, os poucos cabelos, brancos...
Fugaz...
Tudo torna o hoje tão fugaz;
Um tempo desnecessário
Que nos faz viver aprisionados...

Amanhã a rua estará vazia
Pois é feriado nacional
E todos querem sossego!
E, eu aqui preocupado
Com os sisos que terei de extrair...
Pobre de mim, pobres dos homens!

Queria poder Ter certeza do amanhã;
Mas agora só posso dizer talvez...
Faço muitos planos,
No entanto,
Ai meu DEUS nem sei...
Recebi um balde de água fria,
Estou sempre descuidado de mim
E uns quilos acima do peso...
Estou ficando obeso
E indefeso de mim mesmo...
Ah... as noites se esticam
Até o meio dia,
Enquanto o dia
Vai noite adentro...
Não controlo minhas mãos,
Nem meus pensamentos...
Arrasto um bonde
Por muitas de minhas amigas,
Porém vivo sozinho
Na solidão de mim mesmo...

O mundo nem nota a tristeza,
E a garrafa de vinho
Não sustenta-me o vício;
Precipito-me nas doses de rum
Que corroem-me a alma...
Imaginar a solidão me apavora,
A morte me enlouquece
E o futuro nem sei...
Estou aceso como vela
A desgastar a cada dia...
Estou vidrado no que deveria esquecer...
Me apaixonei por quem não deveria;
E quem inventou tais convenções?
Quem me proíbe amar
Um amor tão puro, tão sublime...
Teu nome grita em meu ouvido
E eu imagino
Meus dentes caídos,
Meus cabelos esquecidos,
Meu corpo indefinido,
E este amor perdido
Na distância de meus olhos...

Olho e posso ver...
Nas horas que se perdem
Nos encontros em que me calo
E deixo a alma vagar...
Ah... Ela foge,
Vai longe, onde minhas mãos?
Ah... elas se escondem,
E meu orgulho me engole,
Todos me olham
E reprovam minhas atitudes...

Estou longe e sem destino...
Talvez sem dentes,
Sem cabelos
E fora do peso...
Mas ainda estou...
A morte ainda não veio
Como herança...
E a esperança...Ah...


É a última que morre!

Comentários

  1. é uma visão mesmo atormentada, mas goztei de teu poema.

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