Este é um poema de Amor


Este é um poema de Amor,
Mas, se esperas um lirismo tendencioso,
Retira-te, lança teu olhar sobre outras pautas,
Pois pouco representará para ti.
Não me enveredarei por rimas,
Nem ritmos, nem métricas,
Para não me perder no lugar comum
Do romântico caduco.
Não quero ser caquético,
Nem despertar olhares sobre dores íntimas,
Revoltas mesquinhas, medos
Ou prisões as quais me submeto.
Vou simplesmente cantar o Amor
Em seu estado consciente,
Na consistência da razão.
Este Amor inflamado pela humanidade:
Despido de preconceitos
Cheio de intenções.

Canto a liberdade do direito
E o direito a liberdade
O rompimento de grades e correntes
Que degradam e sufocam o homem.
Uni-vos, homens do mundo inteiro,
Contemplem um novo amanhecer
No horizonte.
Contemplem a rosa a furar o asfalto
Onde, aparentemente, não há vida,
Porém, sempre haverá saída contra o desalento
E deixaremos de ser eternos cativos
Pois temos nossas mãos,
Capazes de lutar e erguer bandeiras.
Deixemos a forja onde moldamos o aço
Forjando em nós a esperança
Num Amor sem visagens
Sem o cancro de paixões difusas,
Mas intenso e honesto.

Digladiar pode ser em vão,
Mas nunca inconseqüente.
É preciso romper com as convenções,
Derrubar senhores, donatários, grilhões.
Este é o nosso caminho,
Salvemo-nos enquanto antes.
Façamos dessa vida breve
Uma vida vida
Repleta de anseios e buscas.
Uni-vos, homens de coragem,
Na luta pela liberdade.

Erguei punhos e foices,
Derrubem mourões, barricadas...
Lancemo-nos em trincheiras
Em guerra interminável
Até que o último cativo
Esteja livre do sufoco do asfalto
Que lhe enterra,
Que desgoverna seus planos
E lhe afunda na condição miserável
Que é ser propriedade,
Manejado como marionete
Ante uma platéia desejosa
De pão e circo.

Pobres escravos, eis o espetáculo,
Eis o sorriso amarelo e desdentado
Da platéia
Que aceita toda lavagem
Como alimento.
Pobres diabos a se perderem,
Encantados com o espetáculo social,
Anti-humano
Do qual, desavisados, fazem parte.
Pobres ratos, presa fácil da imobilidade
E das propagandas consumistas nos outdoors.

Eis a sociedade ditando as regras
Moldando o homem de acordo com o estereótipo mais vil e banal
Tornando-o descartável
Como todas as coisas que se degradam, se degeneram
E perdem seu valor.
Somos o que temos
E temos muito pouco para sermos qualquer coisa
Além de fantoches
Num incrível teatro de bonecos.

Não há desespero, embora o tempo esmoreça
Haverá uma revolução capaz de mudar este quadro
Cômico,
Este quadro crônico,
Onde o papel do homem é consumir,
Onde o papel do homem é consumir-se.

Elevemos nossas mãos
Empunhando flâmulas,
Dizendo não a tudo isso,
Renegando o pão empapado no enxofre
E amassado pelo diabo.
Busquemos nosso próprio pão,
Busquemos um lugar seguro em que possamos
Fincar nossos pés,
Criar raízes
E dividir para todos o que é de todos por direito.
Sejamos irmãos,
Negros, índios, brancos, amarelos
Enredados numa única raça: a humana.

Uni-vos, homens do mundo inteiro,
Exaltando o Amor a humanidade,
E mais que isso,
Tornando a igualdade
Entre homens, mulheres e crianças
De todas as nações
A única certeza que a esperança
Pode reiterar.
Lutemos juntos,

Sejamos fortes!

Comentários

  1. "... E dividir para todos o que é de todos por direito...".

    Grande poeta,
    toda vez que leio seus textos, fico sem palavras!
    Parabéns e obrigada por me proporcionar leituras assim, raras, profundas, maravilhosas...
    Beijinho.

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  2. Anônimo11:05 AM

    OLÁ FLAVIO PARABÉNS PELO SEU ANIVERSÁRIO E PELOS LINDOS POEMAS QUE ESCRE, QUE DEUS CONTINUE TE ABENÇOANDO, NA SUA VOCAÇÃO.

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  3. Belas palavras... Parabéns!
    Sucesso...
    Bjos
    Letícia

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  4. lirismo tendencioso me dizes.
    ... (?)
    e como deixa de ser tendencioso o lirismo?
    pois todo lirismo objetiva
    emocionar,
    envolver,
    subjugar.
    ou não?

    não ergo bandeiras me dizes.
    já erguendo-as,
    (e sem críticas),
    te falo ao pé do ouvido,
    escuta-me:
    elas se erguem (as bandeiras)
    ante mim,
    ante nós.

    não me digas que um romântico caduca,
    isto me faz sofrer.
    SEJA caquético,
    faça que teu ideal grite,
    GRIFE,
    mesmo que soe demodée...

    dores íntimas são
    dores da humanidade inteira.
    e embora isso,
    somos sós em nossas batalhas...

    clarice ge

    ps: lindo demais teu poema.

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  5. Puxa Flávio, que poema arrebatador..muito forte.. Um beijo!

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  6. É isso aí, Flavio! Um belo poema!

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  7. Bom poema Flávio!

    Abração.

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  8. Ainda bem que nao esperava um lirismo tendencioso, pois nao o encontrei aqui! Ola senhor Trumpetista, obrigada pela visita e ja estou a seguir seu blog com imensa vontade de ler mais e mais poesias suas!
    Um abraco!

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  9. Grande Poeta!
    Um poema que todos deveriam ler! A cada que passa fica melhor, mais solto, mais leve e ácido... como todos os poemas que se prezem! Sou seu fã!
    Abraços e um ótimo Natal!

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  10. Bom blog!
    Fantástico post!
    Parabéns!

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