Progresso!

constelações cintilam
rente ao chão
longe do céu

inferno urbano

imensas estruturas
se erguem
verticalmente
sufocando
o grande batalhão
de gente

caminham
em todas as direções
num ritmo
alucinado
dividindo espaço
com carros
ônibus
out doors
placas luminosas

no meio deles
algum ser solitário
caminha
buscando horizontes
inatingíveis
alcança-o
no verso que escreve
ali sentado
a beira do meio-fio

do outro lado
da cidade
casas se aglomeram
encosta acima
pincelando
uma nova cor
na metrópole

que se desfaz
num tom acinzentado
entorpecido
pela fumaça
industrial

o progresso é obtuso.

Comentários

  1. Fico achando que obtusos somos nós que não conseguimos transformar o progresso em nosso aliado, viu?
    Seu poema é a realidade crua que a poesia veste de beleza!
    Beijos garoto!

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  2. Cássio Amaral2:36 PM

    Flavio,
    O progresso é legal. O lance é que o homem é um selvagem nato ainda.
    Seu poema questiona isso, evolução?
    Ou apenas progresso material?
    Velho, muito bacana.
    Grande Abraço.

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  3. um verdadeiro poema e cheio de movimento. um beijo e bom carnaval. obrigada pela msn do tagore, é sempre comovente.

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  4. Cara, me diz uma coisa aí, esse poema está incluído no teu livro, homem gragmentado? Pois se náo estiver creio que seja urgente incluí-lo. De boa mesmo! Me fale algo sobre isso, sim.

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  5. Simplesmente vir aqui me enche de brilho,
    seu poema evolui a cada milimetro....
    Sempre te leio, mas quase sempre acabo por não comentar....

    Adoro vir aqui...

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  6. assis freitas5:06 PM

    o progresso só sobrevive com o seu contrário. Como disse Marx, para o capitalismo a miséria é imprescindível. E a sua poesia abre esses raios de conotação. Um abraço.

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  7. Entretanto o poeta a tudo resiste e nos premia com as suas leituras que humanizam o progresso quando nos lembra da ess~encia da vida. grande abraço.

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  8. trisy7:46 PM

    Assim faz o poeta:questiona,critica,.expoe.Tudo nao escapa ao olhar desconsolado e consolador do poeta.Muito boa essa poesia.

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