Uma menina Pobre





Lá vai a menina pobre
E sua barriga;
Em sua miséria
E desilusão.
Lá vai aquela pobre menina
E seus quatorze anos;
Lá vai sua inocência
Pelas curvas da vida.
Menina do morro
Que morre de medo
Das gentes do asfalto.
Menina do morro
Que leva no ventre
O fruto do prazer
Desvirtuado.

Lá vai a menina pobre
E sua barriga;
Ela que não sabe o futuro
Nem onde o pai fujão
Se escondeu.
Ela que grávida
Nem sabe
Se brincará de boneca
Ou cuidará de criança.
Ela em sua miséria
De infância perdida.
O que fará da vida?
Não sabe...
Porque ainda é criança
Para se preocupar tanto.

Lá vai a pobre menina
E sua barriga;
O estômago grita de fome
E ela não tem um pedaço
De pão e nem um trocado.
Vai de novo ao sinal
Marcar encontros.
E os homens;
Ah... Insensatos!
Usam seu corpo débil
Num prazer carnal
Sem nexo.
A infância perdida
Num sexo miserável.
E mais um dia vai.
E a menina pobre prossegue
Perdida... Como ensinaram;
Da forma que lhe impuseram,
Sem amor,
Sem zelo algum
Entregue nos braços de homens
Sujos que também a sujam.
Aonde irá a menina
Agora que anoitece?
Irá para casa
Ou para um bordel qualquer?

Lá vai ela em sua vida miserável.
Em sua gravidez inesperada.
Em seus medos das gentes do asfalto,
Ela que é do morro
E morre de angústia
E saudade da infância
Perdida...

Comentários

  1. célia musilli7:03 PM

    é um poema realista..há muitas meninas assim po aí.. beijoss.

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